Grandalhão, Versa ganha novo visual e motor 1.0

19 03 2015

nissan-versa-2016-01_620_413

A Nissan é uma marca japonesa de altos e baixos no Brasil. Chegou ao país na década de 90 fazendo sucesso com o SUV Pathfinder e chegou a vender modelos variados como sedãs de luxo e cupês esportivos, além da picape Frontier, seu produto mais antigo no país. Mais tarde decidiu focar em veículos mais acessíveis como a minivan Livina e passou a aproveitar a janela mexicana que permitia importação sem impostos.

Do México vieram alguns sucessos como o Tiida, o March e o Versa e também veículos pouco interessantes como o Tiida Sedan e o primeiro Sentra – os seguintes, ao contrário, encontraram um espaço no mercado. Mas a festa acabou em 2012 quando o governo brasileiro, vendo o déficit crescente com os mexicanos, barrou o livre comércio de automóveis. Até aí a Nissan já havia decidido ter uma fábrica própria no Brasil.

Em nome da qualidade

O novo Versa, lançado nesta semana, é parte dessa nova estratégia, em que a qualidade e o pós-venda ficam em primeiro plano. Ficaram no passado as memoráveis (e incômodas para a concorrência) campanhas de publicidade com pôneis malditos e engenheiros irritados que geraram repercussão, mas que não aproximaram a Nissan das suas conterrâneas Honda e Toyota, já com a imagem consagrada no Brasil.

Curiosamente, agora que a Nissan tem uma fábrica moderna e própria no Brasil ela optou por ser precavida. “Nossa meta é terminar 2015 com 100 mil unidades vendidas”, disse Jean-Philippe Thery, responsável pelo novo Versa. É praticamente o mesmo que a marca fez em 2012, quando ainda não sofria com as cotas de importação, mas bem mais que as 72 mil unidades de 2014.

O novo Versa deve ajudar nessa meta com cerca de 25 mil unidades, ou seja, pouco mais de 2 mil unidades por mês. Isso coloca o sedã em briga direta com o Ka+, da Ford, e o ‘primo’ Logan, da Renault, porém, distante dos ponteiros nesse segmento, o Prisma, Siena, Voyage e HB20S.

Design morno

Se chegar nesse volume, o Versa deve se aproximar dos patamares que vendia logo que veio do México, mas naquela época a Nissan só não vendia mais carros por não ter como importá-los. Agora, não. Emplacar isso é um reflexo do mercado e nesse aspecto o sedã de origem japonesa ainda deve.

É verdade que a Nissan corrigiu dois pontos fracos do primeiro modelo, a ausência de uma versão 1.0 e o interior pouco inspirado. Nessa versão nacional reestilizada, o Versa ganhou interior mais agradável e conta com o moderno motor 1.0 de 3 cilindros que estreou no March no mês passado.

Ele também continua a oferecer uma distância entre-eixos de sedã médio, com 2,6 metros, e que o deixa grandalhão perto dos concorrentes. Mas é fato também que ele não exibe a mesma desenvoltura na largura.

O estilo é talvez o ponto-chave para entender as perspectivas da Nissan no Brasil. A marca nunca foi uma referência nesse sentido, basta lembrar do Tiida Sedan ou do primeiro March, conhecido como Micra na Europa. A atual geração do Versa é apenas aceitável no visual e as modificações promovidas – faróis maiores, a grande grade cromada semelhante ao Sentra e ao Máxima, e o para-choque mais envolvente – só suavizaram a falta de inspiração.

Portanto, nas ruas comparar o Versa com um HB20S, um Prisma ou um Voyage é uma certa covardia em matéria de beleza. Até o Logan, quem diria, hoje tem um design muito mais bem resolvido.

Talvez essa realidade tenha ajudado a Nissan a decidir pelo caminho da qualidade. “Se não temos o carro mais bonito que busquemos o carro mais confiável e barato de manter”, poderia ser um outro mantra para a montadora.

Nesse sentido, a Nissan tem feito a lição de casa ao oferecer três anos de garantia, revisões com preços em conta e conhecidos de antemão e uma preocupação em tornar a montagem de seus carros brasileiros impecável. Exemplo não falta nas irmãs japonesas Honda e Toyota, que gozam de uma fidelidade rara no Brasil.

A marca, aliás, lembra a todo momento a sua nacionalidade japonesa, mesmo que o carro seja hoje brasileiro, ontem mexicano, cujo motor 1.0 deriva de um propulsor europeu e que grande parte do boarding no Brasil seja de origem francesa – fruto da aliança com a Renault.

1.0 de luxo
Colocado nessa moldura, o novo Versa mantém seu ponto mais forte, que é o espaço interno acima da média (incluindo o porta-malas), ganha a companhia de itens mais buscados atualmente como central multimídia, câmera de ré e interior em couro, e também oferece exclusividades como o ar-condicionado digital.

O dono de um Versa da primeira safra talvez perceba poucas diferenças além das visuais. A marca mexeu na sensibilidade da direção elétrica de forma a deixa-la mais leve em manobras e mais dura em velocidades altas. O sedã ganhou rodas aro 16 na versão ‘Unique’, que reúne as principais novidades e custa caro, R$ 54.900 – nas demais permanecem as rodas aro 15.

É no motor que o Versa agora ganha uma alternativa diferente. Se antes ele não se dava ao luxo de brigar entre os sedãs com motor 1.0 agora ele chega com um propulsor moderno e econômico, com três cilindros e 77 cv de potência.

Mas não pensem se tratar de uma versão ‘popular’. Para a Nissan e outras marcas, os novos 1.0 fogem do estereótipo de motores fracos. A ideia aqui é privilegiar o uso urbano, onde eles entregam o torque necessário, mas com economia. Ou seja, não é carro para gente sem dinheiro, o que explica os preços entre R$ 40 mil e R$ 45 mil.

Preço mais alto, mercado concorrido, rivais fortes. A nova fase ‘pé no chão’ da Nissan parece que vai durar bastante tempo


Ações

Information

Deixar um Comentário...

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: